Sem querer querendo

por eduardopmorris

Nem todos os dias das minhas férias nós íamos para a casa de minha avó, algumas vezes acordávamos mais tarde e por isso só chegávamos lá depois do almoço, eu e meu irmão a toa dentro de casa não era tão ruim, geralmente acordávamos e ficávamos vendo televisão até a hora do almoço, mas um certo dia Maria estava dando uma geral na sala, então como não podíamos ficar vendo televisão, ficamos lá em frente ao nosso apartamento brincando de queimar formigas com o óculos do meu irmão, em um determinado momento aquilo ficou chato e começamos a escrever nossos nomes queimando com os óculos debaixo do chinelo, eu queria queimar até fazer um furo no chinelo, mas meu irmão não deixou, sendo assim a única coisa que me restava era fazer as coisas do meu jeito, entrei no apartamento correndo e sai correndo com uma caixa de fósforos, acendi o primeiro fósforo e quando tentei colocar no chinelo pra queimar, ele apagou! Segundo fósforo e, apagou! Quando meu irmão viu o que eu estava fazendo, veio em minha direção e chegando perto de mim ele perguntou: “Você vai gastar toda a caixa?”, nem dei confiança e acendi mais um fósforo em vão, quando fui acender mais um fósforo meu irmão meteu a cara na frente da caixa de fósforo e disse: “Está acabando!”, mas não estava, muito pelo contrario, eu tinha pego uma caixa nova e para provar eu disse: “Olha aqui.”, quando meu irmão colocou a cara novamente pra olhar a quantidade eu acendi um fósforo e coloquei dentro da caixa de fósforos, o que fez com que todos os fósforos acendessem juntos, meu irmão no reflexo levantou a cabeça, mas não deu tempo, o vooooooooosh dos fósforos queimou parte das sobrancelhas dele e antes que ele pudesse ter qualquer reflexo eu sai correndo pra dentro de casa e fui pra perto da Maria, meu irmão entrou logo depois, sem falar um “A” e foi para o banheiro, eu não saía de perto da Maria, pois acreditava que se acontecesse alguma coisa, ela me defenderia, momentos depois meu irmão saiu do banheiro e entrou no nosso quarto ainda sem falar nada, Maria perguntou o que estava acontecendo e eu contei pra ela, ela me disse que eu não era flor que se cheirasse e disse que não era pra eu sair de perto dela, pois ela não deixaria meu irmão me bater.

Alguns minutos depois a empregada da nossa vizinha chegou lá em casa pra conversar com a Maria a respeito de uma festa a fantasia que elas iriam naquela noite e a Maria disse que já sabia o que iria usar, foi na cozinha pegou uns sacos azul de lixo e foi pra dentro do banheiro com a outra empregada, eu que estava sob proteção, fui na cola. Ela disse:

– Vou colocar esses sacos de lixo como se fosse minha roupa e por baixo vou ficar só de biquíni.

Nisso ela começou a tirar a blusa e a bermuda, eu fiquei sem ação ao pensar que eu estaria prestes a ver Maria novamente nua, mas sem precisar fazê-lo escondido, quando ela ficou somente de calcinha e sutiã a outra empregada me apontou com o queixo e Maria disse que não tinha problema, pois eu ainda era criança. Mal sabia ela.  🙂

Maria infelizmente não tirou a calcinha e o sutiã, mas depois que ela terminou de mostrar a fantasia e colocar a roupa, ela disse que eu deveria ir pedir desculpas para meu irmão, pois o que eu tinha feito era muito errado. Entrei no meu quarto e meu irmão estava deitado na cama dele, como era um beliche e eu dormia embaixo, tive que pedir para que ele descesse, mas ele sem sair lá de cima me respondeu: “Não quero ouvir nada do que você falar, só que você vai concordar com tudo que eu contar amanhã, senão vou te bater de um jeito que você nunca apanhou de ninguém.”

A história que meu irmão contou foi a seguinte, de manhã eu havia acordado antes dele e raspado um pedaço da sobrancelha com o barbeador do meu pai, quando ele acordou e viu a merda que eu tinha feito, ele teve que raspar o restante todo, pois ficaria muito feio com a sobrancelha cortada pelas metades. Eu acho que Maria contou a verdade antes, pois depois que meu irmão contou a versão dele, meus pais me chamaram a atenção dizendo que isso não se fazia, e me colocaram de castigo no quarto. Depois que eu estava lá dentro meu pai chegou na beira da porta e disse: “Nunca mais mexa nos fósforos!”, e fechou a porta.

Eu achei melhor não ir atrás pra falar nada, pois eu já havia concordado com meu irmão que tudo o que ele dissesse se tornaria verdade, independente do que fosse e no final das contas até que não foi nada demais!!!  😉

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