Na Escola

por eduardopmorris

Vou pra escola desde os 3 anos de idade e na minha infância estudei em duas escolas, na primeira delas uma das donas era a madrinha do meu irmão mais velho, o primeiro Pinto dos Morris, e isso não me rendia boas coisas, na verdade me rendeu alguns roxos. 🙂

Vou tentar explicar como era a escola. Ela ficava bem abaixo do nível da rua, e para entrar tinha que passar por um portão e descer uma longa escadaria, a escadaria podia até ser pequena, mas a minha impressão, devido ao meu tamanho, era de ser a maior escadaria do mundo. No fim da escadaria ficava o pátio onde brincávamos e nele tinham uns bancos revestidos com cacos de pedra sabão vermelha. Para ir para as salas de aula ainda tinha que descer mais um pequeno lance de escadas, acho que tinham umas 10 salas lá embaixo. O pátio era grande, e dava pra brincar bem, nele briguei muito, apanhei muito e principalmente brinquei muito. A escola era ao lado da Catedral de Vitória então no andar acima da escola existia um tipo de casa de freiras, onde fazíamos catecismo. Se não entendeu a descrição da escola não tem problema, use sua imaginação, me imagine na sua escola da infância. 😉

Eu era o menor da minha sala e isso me rendeu um triste apelido de Pintinho, mas o quanto eu aprontava era inversamente proporcional ao meu tamanho, então todos os castigos, puxões de orelha e beliscões que ganhei na escola foram muito merecidos, e por causa disso considero a madrinha do meu irmão como a minha segunda mãe, me criou e me educou com primazia, e minha mãe não se sente ofendida por isso, muito pelo contrário ela sente orgulho por darmos valor a uma pessoa que cuidou de nós dois quando ela tinha que trabalhar, mas vamos mudar de assunto senão você não vai querer continuar a ler este livro.

Passei grande parte da minha infância dentro da escola, praticamente um período integral estendido. Devido a minha mãe e meu pai trabalharem, eu e meu irmão ficávamos o dia todo na escola, nossa rotina funcionava da seguinte forma: logo cedo nosso pai nos levava de carro pra escola e lá nos deixava, ficávamos brincando eu, meu irmão, a filha da madrinha do meu irmão e um casal de gêmeos que eram filhos da outra dona da escola. O único que não fazia parte da mesma sala era meu irmão, que é 1 ano e meio mais velho que eu. Meu melhor amigo era o filho da outra dona da escola, mas isso não ajuda em nada na história. O “estendido” do nosso período integral deve-se ao fato que algumas vezes só saíamos da escola quando ela fechava, e íamos para a casa da madrinha do meu irmão.

A brincadeira da manhã na escola era de casinha e dava pra brincar bem (pra eles), pois só ficávamos nós cinco na escola, os papeis desempenhados na casinha eram distribuídos da seguinte forma: O Pai (meu irmão), A Mãe (a filha da madrinha do meu irmão), A Filha e O Filho (os gêmeos) e finalmente, aquele que não pode faltar em uma casa de família tradicional, O Cachorrinho de estimação (Eu). Essa merda de brincadeira me rendeu alguns traumas, em algumas vezes chorava e fazia tanto drama ao chegar à escola que meu pai se via obrigado a voltar comigo e me deixava na casa de minha avó materna.

De tarde era quando tínhamos as aulas e na hora do recreio brincávamos de futebol de tampinha de garrafa. Não é complicado de imaginar, pede pro Tico conversar com o Teco, ao invés da bola usávamos uma tampinha de garrafa de refrigerante, como éramos todos miúdos, média de 5 anos de idade, aquilo era o top do recreio. Tudo bem que não tinha time, o gol eram os bancos que ficavam no pátio e o importante era fazer gol, não importa em quem, não importa onde.

Brincávamos também de pique-pega e suas variações: pique-alto, pique-baixo, pique-cola, pique-cola 3 vezes, pique-estátua e qualquer pique-alguma coisa que fosse pra ficar correndo. Como o pátio era grande, podíamos correr a vontade e mesmo assim brigas aconteciam.

Esse primeiro conto foi só pra introduzir em você o principal palco da minha infância, em outra ocasião apresentarei a segunda escola onde estudei.

Anúncios