ADEUS

por eduardopmorris

Era meu aniversário, e íamos em um restaurante pra podermos festejar, o bom desse restaurante é que tinham alguns brinquedos onde nós poderíamos ficar brincando enquanto os adultos ficavam lá bebendo e jogando conversa fora, então a programação era a seguinte, meus tios chegariam no restaurante primeiramente e guardariam bons e muitos lugares próximos da área de recreação, nós iríamos pegar meu avô e avó e os levaríamos pro restaurante.

Assim que chegamos a casa de nossa avó vi meu avô sentado em frente de casa, só olhando pro portão, passei correndo pelo portão e gritando “OI VÔ”, mas meu avô não respondeu, na verdade ele nem se mexeu, logo depois de gritar eu pularia no colo dele e ficaria ali abraçado, mas como ele nem mesmo me respondeu, eu parei na frente dele e fiquei chamando, quando minha mãe entrou e viu a cena, tentou chamá-lo, mas quando viu que ele não respondia já foi entrando dentro da casa de minha avó chamando por ela. Minutos depois minha mãe saiu conversando com minha avó:

– Tem quanto tempo que você disse que está assim mãe?

– Tem umas duas horas que ele veio sentar aqui minha filha, como seu pai tem costume de ficar aqui sentado olhando pro tempo, eu nem dei confiança.

– Mas ele nem responde a gente mãe.

– Minha filha eu não sei, vou ligar pro seu tio que é médico.

Nisso minha avó voltou pra dentro de casa e minha mãe foi atrás. Meu irmão continuava parado do lado do portão olhando fixamente pro meu avô.

Minha mãe saiu depois de alguns minutos e disse:

– Meninos entrem, seus tios estão vindo pra cá.

– E minha festa mãe?

– Infelizmente não faremos ela hoje meu filho, mas assim que o vovô melhorar, faremos uma festona.

Muitos minutos depois meus tios e primos todos apareceram, mas a única mudança no ambiente era que nesse momento meu irmão não estava imóvel ao lado do portão, ele estava imóvel olhando para o meu avô ao lado da velha mangueira onde nós brincávamos. Minutos depois chegou um homem todo de branco que eu já tinha visto algumas vezes nas festas e que meus tios chamavam de “tio”. Fomos levados pro quintal dos fundos e ficamos lá brincando o dia todo, terminamos dormindo na casa vovó naquela noite, todos juntos no mesmo quarto.

Em conversa posterior minha mãe nos disse que nosso avô tinha tido um derrame, que era um tipo de machucado por dentro da cabeça e que infelizmente ele não poderia mais brincar conosco nem ficar contando histórias.

Meu avô ficou daquela forma por uns 2 anos, meus tios e tias dedicaram todos os esforços possíveis para a melhoria do meu avô, mas infelizmente a vida do meu avô não se estendeu por muito mais do que este período.

Era possível notar a tristeza da minha avó nos anos que se seguiram e cerca de 5 anos após a despedida do nosso avô, ela foi se juntar a ele.

Deus vá contigo, foi esse o significado que me ensinaram para a palavra ADeus, e muito embora Ele sempre esteja conosco, essa palavra só deveria ser utilizada quando a pessoa que estivesse ouvindo ou falando estivesse indo ao encontro Dele, e mesmo esta sendo a única certeza absoluta que temos, que iremos nos encontrar com Ele, ainda assim não somos criados para esta realidade.

Acredito que para muitas pessoas da minha idade, e os mais velhos também, a casa dos avós era praticamente o centro do universo, então uma vez que ambos tenham ido, muitas famílias perdem a referencia da união familiar, e assim foi em partes com minha família.

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